Interviste

Entrevista com Arthur Faria Jr., artista Disney

Entrevista com Arthur Faria Jr., artista Disney - immagine1-3570Gostaria de uma apresentacao sobre o senhor, com suas proprias palavras. Quem è o Arthur, que trabalho voce realizou no Brasil com os quadrinhos Disney, e quais atividades esta desenvolvendo.
Meu nome è Arthur Faria Jr., e tenho 50 anos. Nasci e sempre vivi numa pacata pequena cidade do interior do Brasil chamada Brazopolis. Cheguei a estudar engenharia de telecomunicacoes, mas meu sonho mesmo sempre foi trabalhar com quadrinhos, especialmente Disney, com os quais praticamente aprendi a ler. Felizmente, na epoca em que enviei algumas historias (roteiro e desenho) para a Editora Abril (1982), os quadrinhos Disney estavam fazendo muito sucesso no Brasil e a Redacao Disney estava precisando desesperadamente de roteiristas, dai tive a felicidade de logo comecar a produzir roteiros (embora inicialmente eu desejasse desenhar tambem) o que durou 16 anos, nos quais escrevi aproximadamente uns 700, ate que a redacao fechou em 1997 quando as vendas cairam abaixo do nivel exigido pela editora. A partir dai venho fazendo poucos roteiros esporadicos, sempre Disney, quando possivel. Ainda sonho que um dia os quadrinhos Disney voltem aos “tempos de gloria” de outrora no Brasil…

Recentemente, a historica edicao “Zio Paperone 200″ trouxe uma de suas historias. Trata-se de ” A Primeira Caixa-Forte” ou “Il primo deposito di Zio Paperone”. Conte-nos um pouco sobre essa historia, e o que o motivou a imaginar um Tio Patinhas menino.
Esta è um roteiro que escrevi quase no inicio de minha carreira como roteirista Disney, e infelizmente perdi a copia da revista em que ela saiu publicada. Portanto terei que puxar pela memoria… Pra comeco de conversa, os roteiros brasileiros Disney nunca deram muita importancia à continuidade, dai o que bolei para a infancia do Tio Patinhas nao segue necessariamente os “canons” estabelecidos por Barks e outros. (Como a historia foi contada pelo Prof. Ludovico e baseado em um livro seu sobre a Familia Pato, pode-se dizer que certas incoerências ou liberdades se devem à famosa distracao do renomado cientista). Portanto vemos nesta historia o Patinhas-crianca na Patopolis do comeco do se’culo passado, já acumulando uma pequena fortuna em moedas por engraxar sapatos e construindo entao uma “caixa-forte-de-árvore” para guardá-las, sendo em seguida alvo dos planos maquiave’licos dos Metralhas, (seu avô e irmaos, creio) tambe’m criancas. Ou seja, toda a historia è uma brincadeira com aquele hábito comum das criancas construirem casas-de-árvore: apenas achei que Tio Patinhas nao tinha sido excecao, apenas dando um toque prático e econômico à coisa, o que è de seu feitio. Na verdade, tocando no assunto de continuidade, sou da opiniao de que, nas HQs Disney, quanto menos melhor: claro que se pode criar otimas historias sendo cegamente fiel à ela (Don Rosa è um exemplo), mas torná-la uma lei rigida demais pode fazer com que excelentes e divertidos roteiros nunca sejam escritos ou simplesmente rejeitados!

Como artista, quais foram (e sao) as suas influências?
Praticamente todos os excelentes roteiristas e desenhistas Disney clássicos cujo trabalho tive o prazer e a honra de ler quando crianca. Ale’m de Barks, claro, tenho muito apreco pelas deliciosas tramas que Carl Fallberg e Floyd Gottfredson escreveram para o Mickey. Tambe’m sou fa incondicional de Harold Foster (Principe Valente) e a dupla Stan Lee/Jack Kirby! Gosto de pensar que meu estilo de escrever è muito influenciado pelo de Barks e Fallberg, entre outros, mas com uma grande e inprescindivel pitada do “jeitinho brasileiro”, sem o qual nao daria nem pra comecar a escrever roteiros do Ze’ Carioca, por exemplo, personagem que eu adoro.

Antes de escrever uma historia, o senhor pesquisava um tema e informacões para transmitir no roteiro ? Como fazia para buscar inspiracao e tratar dos assuntos com emocao e humor?
Temas para historias simples me surgem apenas lendo algo num jornal ou revista ou assistindo alguma coisa na TV, por exemplo. Uma simples palavra ou situacao com potencial adequado pode detonar na minha mente a ide’ia para uma rápida aventura humoristica do Ze’ ou Donald. Como sempre fui uma pessoa muito curiosa, do tipo que sempre adorou absorver e “digerir” qualquer coisa de qualquer midia e bem humorada por natureza, acho que venho acumulando na cabeca uma bagagem considerável de informacões que, cruzadas e misturadas adequadamente, sempre me renderam boas ide’ias: basta um tema inicial engracado e promissor como faisca e o resto vem quase automaticamente. Para historias mais elaboradas e “importantes”, claro, faco pesquisas, etc., mas curiosamente prefiro as ide’ias e situacões que surgem espontaneamente enquanto escrevo historias despretenciosas cujo única funcao è divertir. Essas parecem ser as minhas melhores!

Nos meios de comunicacao recebemos diariamente produtos culturais de outros paises, e alguns produtos de conteúdo nacional. Mas com isso muitos dizem que “sabemos tudo o que acontece no mundo, mas nao sabemos o que acontece em nosso bairro”. Nas hq´s Disney um mesmo roteiro circula entre vários paises. Quando escrevia uma historia o senhor pensava em um leitor brasileiro, ou um leitor internacional ? Como dosava os temas globais com temas locais?

Depende do personagem. Disney tem tantos tipos diferentes de personagens, regionais ou nao, que podemos escrever qualquer Entrevista com Arthur Faria Jr., artista Disney - immagine2-3570coisa para qualquer plateia, e isso explica porque eles fizeram tanto sucesso no mundo todo. Já as historias do Ze’ Carioca sao super-regionais, tanto que agradam (ou agradavam) em cheio o leitor brasileiro, mas è praticamente desconhecido ou chama pouco atencao lá fora (Quando Don Rosa resolveu utilizar o Ze’, o que vimos foi uma versao “Carmem Miranda” do papagaio, se è que me entende. Humm…) Já com os Patos podemos escrever uma historia de tema universal que agrada no mundo inteiro ou uma de tema local, pois eles sao bem flexiveis. Claro que tentávamos nao ser regionais demais, (exceto com o Ze’ e o Urtigao, que de ermitao tipicamente norte-americano virou um caipira bem brasileiro aqui) ou sê-lo de uma maneira que podia ser editada e adaptada facilmente, uma vez que exportar a producao local sempre foi importante para as editoras e estúdios envolvidos, nao importa o pais. So “importar e traduzir” pode ser muito cômodo e barato, mas nao deixa de ser uma vergonha e um enorme retrocesso — na minha modesta opiniao — nao importa quantos motivos econômicos se ofereca.

As historias em quadrinhos sao tambe’m uma expressao de cultura popular, de folclore e sao um poderoso instrumento de educacao. Aqui no Brasil, o meio publicitário vêm utilizando cada vez mais essa midia seja atrave’s da criacao de personagens, seja atrave’s de revistas promocionais, campanhas publicitárias institucionais e educativas, etc. Ao mesmo tempo, a forma de comunicacao por meio de revistas em quadrinhos está sendo muito utilizada como forma de treinamento de adultos. Há hq´s ate’ para treinamentos de seguranca no trabalho e programas iso 9001. A utilizacao de hq´s para esses fins è bene’fica?
Claro, assino em baixo. Mas o curioso disso tudo, pelo menos do meu ponto de vista, è que mesmo percebendo que todo mundo adora ou adorou ler quadrinhos em algum momento da vida, a maioria das pessoas (leia-se adultos) fica a’s vezes constrangida em admitir isso, uma vez que os quadrinhos, assim com os desenhos animados (que eu tambe’m adoro), sao considerados culturalmente “coisa de crianca” (mesmo quando rendem fortunas). Enquanto isso perdurar, acho que os quadrinhos nunca vao desenvolver todo o seu real potencial cultural e educacional…

O senhor trabalhou muito com o Tio Patinhas. Nos últimos anos o Brasil foi “invadido” por dezenas de novos personagens que receberam macico investimento publicitário. Ao mesmo tempo, o Tio Patinhas (e os persoangens hq´s Disney) apesar de nao ter recebido nos últimos anos promocao publicitária, continua muito querido pelos brasileiros e atrai novos fas, muitos jovens criancas ! A que o senhor deve esse fascinio que o brasileiro tem pelo personagem?
O Tio Patinhas è daqueles personagens que nao foram minuciosamente projetados, ele surgiu espontaneamente da mente do genial Barks, e apenas com a intencao de preencher uma lacuna numa trama: era apenas uma razao para Donald ir ate’ a’s montanhas naquela memorável historia natalina dos ursos. Todos sabem agora que Barks nem pretendia reutilizá-lo, mas ele fez um sucesso imediato entre os leitores, dai Barks o foi modelando progressivamente e o resto è historia. Personagens que caem no gosto do público dessa maneira nao tem explicacao, eles iam surgir e virar sucesso de uma maneira ou de outra! Existem excecões, claro, mas a maioria dos personagens “fadados à eternidade” surgem assim, de improviso. Sao uma extensao do proprio autor, e a’s vezes este nem o percebe. è como costumam dizer, deve-se escrever sobre assuntos (e criar personagens) que melhor conhecemos, e que personagem conhecemos melhor se nao nos mesmos?

Finalizando, imagine que o senhor recebe uma ligacao neste momento, pedindo para escrever uma historia, para ser publicada digamos, no mês que vem. Que tema escolheria?
Um em que algue’m pede ao Ze’ Carioca para fazer alguma coisa, mas ele vai para sua rede “pensar” a respeito, e depois de um mês se toca que esqueceu completamente e dai cria uma trama mirabolante para contornar a situacao e tentar sair-se bem… “rê!”

 

Versao italiana

 

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